A decisão da Justiça de conceder liberdade provisória ao motorista preso após um grave acidente que matou o motoboy Bryan Rodrigues Cruz, de 23 anos, causou indignação entre familiares, amigos e internautas. O investigado havia sido preso em flagrante na quarta-feira (29), após receber alta hospitalar, mas deixou a prisão menos de 24 horas depois, por determinação judicial.
O acidente aconteceu no cruzamento da Avenida do Batel com a Rua Francisco Rocha, em Curitiba. Segundo a investigação, Bryan retornava para casa após trabalhar durante toda a madrugada como motoboy. Um amigo seguia logo atrás e presenciou toda a cena.
De acordo com o boletim de ocorrência e o depoimento da principal testemunha, o motorista do Tiggo seguia em alta velocidade, avançou o sinal vermelho e atingiu violentamente a motocicleta. Bryan foi arremessado por cerca de 70 metros e morreu ainda no local. A testemunha afirmou que o condutor apresentava sinais visíveis de embriaguez e admitiu, logo após a colisão, que havia ingerido bebida alcoólica, trafegava acima do limite de velocidade e passou o semáforo fechado. O documento também registra que a Carteira Nacional de Habilitação do motorista estava suspensa desde setembro de 2025.
No hospital, conforme informado pela polícia, o motorista confessou que havia consumido nove latas de cerveja antes de dirigir. Ele estava acompanhado de dois amigos, que sofreram apenas ferimentos leves.
Apesar desses elementos, o auto de prisão em flagrante foi lavrado, inicialmente, pelo crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Ao analisar o caso, o juiz homologou a prisão em flagrante, mas entendeu que não estavam presentes os requisitos legais para converter a prisão em preventiva, justamente porque, neste momento da investigação, o enquadramento jurídico adotado pela autoridade policial é o de crime culposo. Por isso, concedeu liberdade provisória ao investigado, impondo medidas cautelares, entre elas o comparecimento periódico em juízo, a proibição de deixar a comarca sem autorização, o recolhimento domiciliar noturno e a suspensão do direito de dirigir por dois anos.
Na própria decisão, o magistrado ressalta que o Ministério Público poderá, no decorrer das investigações, atribuir uma definição jurídica diferente aos fatos e defender a existência de dolo eventual, caso novas provas sustentem esse entendimento. No momento, porém, considerou que os elementos disponíveis ainda não seriam suficientes para alterar a tipificação adotada pela autoridade policial.
A liberdade do motorista revoltou a família da vítima. Durante o velório de Bryan, realizado nesta quinta-feira (30), a mãe do jovem desabafou: “Vivemos em um país onde só há justiça para o rico, para o pobre isso não existe.”
O caso também provocou forte repercussão nas redes sociais. Muitos internautas defendem que a conduta seja tratada como homicídio com dolo eventual, entendimento jurídico aplicado quando o motorista, ao dirigir embriagado e assumir condutas de extremo risco, como trafegar em alta velocidade e avançar o sinal vermelho, teria assumido o risco de provocar a morte de outra pessoa. A definição jurídica, no entanto, ainda dependerá do andamento das investigações e da manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário.





