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Home Notícias

“A Melhor Mãe do Mundo” — Violência doméstica sem o glamour do cinema 

por Plantao190
18 de novembro de 2025
em Notícias, Plantão Cultural
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“A Melhor Mãe do Mundo” — Violência doméstica sem o glamour do cinema 

Imagem: Divulgação

Às vezes a gente assiste um filme e pensa: “isso não é uma produção, isso é o Brasil acontecendo”. Imagino que seja essa a estética escolhida para A Melhor Mãe do Mundo, pois é exatamente isso. Não é barulhento, não mostra cenas de violência explícita. Ele fala da violência onde ela realmente mora, no medo e nas consequências que ficam. Gal (Shirley Cruz) é uma mãe que já entendeu que dentro da própria casa não tem segurança. Depois de uma denúncia na delegacia que simplesmente não vai pra frente (como acontece com milhares de mulheres), toma a decisão de ir embora com os filhos. E para que as crianças não carreguem os traumas, ela transforma tudo em um “jogo”, uma grande aventura. É sensível, é triste e é real.

Real, pois hoje no Brasil, cerca de cinco mulheres são mortas por dia por feminicídio, e a maioria por parceiros íntimos, dentro de casa. Gal poderia representar tantas outras mais mulheres que nem chegam a ser estatística, pois fogem antes. Ela decide, mesmo sem nenhuma garantia de vida melhor, que quer sobreviver e salvar os filhos. Como Gal é recicladora, recebe pouco e depende economicamente desse marido que, além de abusivo, tenta comprar as crianças com presentes. Leandro (Seu Jorge) ganha mais, fica com a casa, com a liberdade e com a solidariedade dos que fazem parte da vida do casal.

Tem quem tenha visto, achando o filme “singelo demais”, “esperando mais ação”. Mas talvez seja justamente isso que faz sentido, pois a violência contra a mulher não é sempre o espetáculo que sai no jornal. É cotidiana, silenciosa, acontece dentro de casa e mexe com a mente das mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos.

O filme fala também do sentimento que muitas mulheres têm do afeto antigo, das boas memórias… mas também existe a consciência de que aquilo não cabe mais. De que continuar seria morrer um pouco todos os dias. Recomendo porque é sensível, é honesto e é puro suco de Brasil (infelizmente). É um filme sobre escapar, e isso, no Brasil que registra em média 5 mortes por feminicídio por dia, já é bastante coisa.

Ficha técnica:

Título: A Melhor Mãe do Mundo

Direção: Anna Muylaert

Elenco: Shirley Cruz, Seu Jorge, Rihanna Barbosa, Benin Ayo

Gênero: Drama

Ano: 2025

Plataforma: Netflix

Conteúdo elaborado por Francine de Souza, jornalista especialista em comunicação audiovisual. Dúvidas, críticas, elogios ou sugestões: @francinedesouza.jor.psi.adv

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