(Foto: Andréa Farias, Agência O Dia)

Foi encontrado morto nesta terça-feira (22), Elias Pereira da Silva, mais conhecido como Elias Maluco. Elias Maluco cumpria a pena no Presídio Federal de segurança máxima de Catanduvas no Paraná e a causa de sua morte ainda é desconhecida.

O Departamento Penitenciário Nacional informa sobre o falecimento do preso Elias Pereira da Silva na tarde desta terça-feira (22), na Penitenciária Federal em Catanduvas.

O local foi preservado até a chegada da Polícia Federal que foi acionada para fazer a perícia.

A família foi comunicada pelo Serviço Social da unidade. O Depen Informa, ainda, que preza pelo irrestrito cumprimento da Lei de Execução Penal e que todas as assistências previstas no normativo são garantidas aos privados de liberdade que se encontram custodiados no Sistema Penitenciário Federal.

História

Elias foi preso em 19 de setembro de 2002, após uma caçada humana de três meses, na sequência do assassinato do jornalista Tim Lopes. Integrante da facção criminosa Comando Vermelho, comandava o tráfico de drogas em trinta favelas das imediações do Complexo do Alemão e da Penha, sendo acusado pela morte de mais de sessenta pessoas.

Em 2 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes, que na ocasião fazia uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em bailes funk na favela Vila Cruzeiro, bairro da Penha, foi sequestrado e levado por um grupo de traficantes liderado por Elias Maluco para a Favela da Grota no Complexo do Alemão, onde foi torturado e morto, após ter sido descoberto com uma microcâmera tentando filmar a venda de drogas no local. De acordo com depoimentos de traficantes ligados a Elias Maluco, presos poucos dias depois pela polícia. Ele torturou o jornalista queimando seus olhos com um cigarro, esquartejou o jornalista com uma espada de samurai, tendo em seguida o corpo do jornalista sido incinerado com pneus e gasolina numa gruta conhecida entre os locais como o “microondas”. Após intensas buscas, os restos carbonizados do corpo de Tim Lopes foram encontrados no dia 12 de junho, num cemitério clandestino da Favela da Grota.

O crime teve repercussão internacional e motivou manifestações contra a violência no Rio de Janeiro e em defesa da liberdade de imprensa, tendo sido um dos casos que levou a que o Brasil fosse apontado pela Comissão de Impunidade da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP) como o terceiro país mais perigoso para os profissionais desta área nas Américas.

Após uma caçada humana de três meses liderada pela cúpula da segurança do Rio de Janeiro, a polícia lançou no dia 16 de setembro de 2002 a chamada “Operação Sufoco”, cercando o Complexo do Alemão com o objetivo de capturar Elias Maluco. Após 50 horas de cerco policial, foi capturado no dia 19 de setembro na Favela da Grota, não tendo resistido à prisão. É dele a frase, no momento da prisão, “Perdi, chefe. Só não esculacha, não.”, em referência à ânsia da polícia em prendê-lo.

Elias Maluco foi condenado em dezembro de 2002 a 13 anos de prisão pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas, num processo que envolvia o cantor Belo. Em 10 de novembro de 2003, foi condenado a 18 anos de prisão pela 23ª Vara Criminal do Rio de Janeiro pelos mesmos crimes no âmbito de outro processo, e em 25 de maio de 2005 foi condenado a 28,5 anos de prisão pelo 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver no caso do assassinato de Tim Lopes.

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