(Foto: CBPR/Divulgação)

No último 10 de agosto de 2020, comemoramos o aniversário da PMPR e a promoção da então 1° Sgt. QPM2-0 Patícia à Subtenente, a primeira mulher nesta graduação no Corpo de Bombeiros do Estado Paraná. Veja a entrevista com a Subtenente Patrícia a respeito de sua trajetória dentro da Corporação.

Corpo de Bombeiros do Paraná: A senhora fez parte da primeira turma de bombeiras do Estado do Paraná. Teve alguma influência para escolher a profissão de bombeiro? Qual?

Subtenente Patrícia: Sim. Fiz parte da primeira turma de mulheres bombeiras militares. Éramos 23 mulheres em meio a 270 homens, aproximadamente. Todas as mulheres fizeram o Curso de Formação de Soldados no Centro de Ensino e Instrução. O curso teve a duração de cerca de 9 meses e 21 mulheres o concluíram com êxito.

Com relação à influência, estudei no Colégio da Polícia Militar do Paraná por sete anos, da 5ª série do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. Tive muita afinidade com a disciplina militar, por causa do CPM, e sempre admirei o trabalho do Corpo de Bombeiros, mas nunca imaginei fazer parte da Corporação pois à época não existia a possibilidade de ingresso de mulheres.

Em 2004, eu trabalhava em uma academia de ginástica e, naquela época, o então Cap. Paulo (hoje Cel. Paulo), e sua esposa eram meus alunos. Em algumas conversas, sabendo que meu aluno era bombeiro, eu externei minha admiração à profissão e a vontade de trabalhar como socorrista. Foi quando ele me deu a notícia que, naquele ano (2004), haveria concurso para soldado do Corpo de Bombeiros e que seria a primeira vez que vagas seriam destinadas a mulheres.

O Edital previa as seguintes vagas:

Vagas gerais: 245 (duzentos e quarenta e cinco) vagas para candidatos do sexo masculino; e 18 (dezoito) vagas para candidatas do sexo feminino.

Vagas preferenciais (afrodescendentes): 28 (vinte e oito) vagas para candidatos do sexo masculino; e 02 (duas) vagas para candidatas do sexo feminino.

Foi nesse momento que comecei a estudar e ter esperança de integrar a instituição, o que na sequência se concretizou.

CBPR: Como foi sua trajetória na Corporação até chegar ao posto de subtenente? Quais Unidades trabalhou? Quais cursos fez? Onde encontra-se hoje?

Subtenente Patrícia: Os cursos foram:

2005 – Curso de Formação de Soldados – 23 mulheres – 3º lugar (Turma CEI);

2006 – Curso de Guarda-Vidas – 19 mulheres;

2006 – Curso de Socorrista – 9 mulheres – 1º lugar;

2007 – Curso de Formação de Cabos – 2 mulheres e 88 homens;

2009 – Curso de Formação de Sargentos – 2 mulheres e 28 homens – 5º lugar;

2010 – Curso de Condutor de Viatura – 2 mulheres;

2011 – Curso de Polícia Judiciária Militar (CPJM) – Turma mista PM/BM – iniciamos em 2 BM, mas só eu finalizei o curso – 2º lugar;

2011 – Curso de Formação de Condutores Militar (CFC Militar) – Turma mista PM/BM – 2 mulheres;

2014 – Promovida a 2º Sgt (critério antiguidade);

2017 – Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos – 1º lugar;

2017 – Promovida a 1º Sgt (critério merecimento);

2020 – Promovida a Subtenente (critério merecimento).

Os locais onde trabalhei foram:

8º GB (2º SGBI à época) Operação Verão 2005/06 – Matinhos, como Guarda-Vidas;

1º GB – serviço operacional Posto Portão (caminhão de incêndio e rádio-operador);

1º GB – serviço operacional Posto Portão (AA, após conclusão do curso de socorrista);

CCB – Coordenação Estadual do Siate;

CCB – BM/5;

8º GB (2º SGBI à época) Operação Verão 2006/2007 – Guaratuba, como Guarda-Vidas;

CCB – BM/2;

CCB – Cefid (Projeto de atividade física para a 3ª idade);

CCB – Gabinete do Comando;

Colégio Militar de Curitiba (Equipe de Coordenação do Corpo de Alunos do CMV;

CCB – Dafin;

Colégio da Polícia Militar (Professora da disciplina de Educação Física);

Tribunal de Contas do Estado do Paraná – Responsável pela Brigada de Incêndio do TCE;

Secretaria Nacional de Segurança Pública/Ministério da Justiça e Segurança Pública – Brasília, onde encontro-me atualmente trabalhando com políticas públicas voltadas a atender as necessidades das Instituições de Segurança Pública do país, em especial os Corpos de Bombeiros Militares.

CBPR: Uma boa lembrança?

Subtenente Patrícia: As boas lembranças são inúmeras, desde os cursos de formação e especialização, até o atendimento de ocorrências e lugares por onde passei. Em cada lugar aprendi muito e deixei um pouquinho de conhecimento.

Tenho muita saudade de trabalhar na ambulância, o que essencialmente despertou minha vontade de ser bombeira militar.

CBPR: Um desafio?

Subtenente Patrícia: O desafio de nunca perder a alegria e a vontade de trabalhar em uma instituição que conta com a alta credibilidade da população. Poder trabalhar em prol do próximo e ter essa dedicação reconhecida não tem preço.

CBPR: Como a senhora se sente sendo a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo de promoção da carreira de praças?

Subtenente Patrícia: Me sinto orgulhosa. Acho que nesse momento não consigo pensar em outra coisa que não o orgulho que sinto de ser bombeira militar, numa graduação nunca antes ocupada por uma mulher no Corpo de Bombeiros do Paraná. Não consigo expressar em palavras o que estou sentindo com tantas demonstrações de reconhecimento e valorização da minha trajetória na corporação.

CBPR: O que a senhora diria às militares que se encontram na ativa e almejam chegar em tal posição? E às futuras interessadas em seguir a carreira bombeira militar?

Subtenente Patrícia: Eu diria para perseguirem seus objetivos com fé, determinação, dedicação, abnegação, respeito e perseverança. Minha mãe, toda a vida, repetiu para mim uma frase que hoje levo como um tipo de lema: “A alegria da vida está na luta pela vitória”. Acredito que, mesmo que não consigamos ter êxito em todos nossos propósitos, o que faz parte da vida (vitórias, derrotas, frustrações), já vale a pena o esforço para tal, afinal nunca saberemos se dará certo se não tentarmos.

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